"Vós me perguntareis por que eu me torturava, por que me deslocava assim? Resposta: porque me aborrecia demais permanecer de braços cruzados; eis aí por que me entreguei a essas contorsões. Era assim, asseguro."
"Eu imaginava aventuras e criava para mim uma existência fantástica para viver de um modo ou de outro. Quantas vezes, por exemplo, cheguei a me ofender, por motivos absurdos, de propósito: sabes bem, tu mesmo, que não há por que se zangar, e que te excitas a frio, mas te aqueces a tal ponto que chegas finalmente a te encolerizar sinceramente. Tive sempre o gosto por estas histórias. Tanto e tão bem que finalmente perdi todo o poder sobre mim mesmo."
Dostoiévski, Memórias do Subsolo. São Paulo: Círculo do Livro, p. 29. (Ambas as citações)