"De resto, sabeis o que vou dizer-vos? estou persuadido de que nós outros, homens do subsolo, devemos ser mantidos na trela. O homem do subsolo é capaz de permanecer silencioso no seu subsolo durante quarenta anos; mas, se sai do seu buraco, ele desabafa, e então fala, fala, fala..."

domingo, 28 de março de 2010

"Vós me perguntareis por que eu me torturava, por que me deslocava assim? Resposta: porque me aborrecia demais permanecer de braços cruzados; eis aí por que me entreguei a essas contorsões. Era assim, asseguro."

"Eu imaginava aventuras e criava para mim uma existência fantástica para viver de um modo ou de outro. Quantas vezes, por exemplo, cheguei a me ofender, por motivos absurdos, de propósito: sabes bem, tu mesmo, que não há por que se zangar, e que te excitas a frio, mas te aqueces a tal ponto que chegas finalmente a te encolerizar sinceramente. Tive sempre o gosto por estas histórias. Tanto e tão bem que finalmente perdi todo o poder sobre mim mesmo."

Dostoiévski, Memórias do Subsolo. São Paulo: Círculo do Livro, p. 29. (Ambas as citações)