"De resto, sabeis o que vou dizer-vos? estou persuadido de que nós outros, homens do subsolo, devemos ser mantidos na trela. O homem do subsolo é capaz de permanecer silencioso no seu subsolo durante quarenta anos; mas, se sai do seu buraco, ele desabafa, e então fala, fala, fala..."

sábado, 10 de abril de 2010

"Tenho olheiras, porém o que mais me surpreende é o meu olhar: impossível, desiludido de tudo, nenhuma esperança de luz, nem o mais tênue clarão, velho, morto.
Meus cabelos ruivos, brilhantes e crespos, são a única massa viva, como se não pertencessem a este rosto, a estes olhos."

Régine Deforges, O Diário Roubado. 3 ª edição, Rio de Janeiro: Editora Record, 1998.

André Derain: Mulher de Combinação, 1906. 1 x 0,81 m. Copenhage, Statens Museum for Kunst.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

"Por causa disso, Felix achava dolorosa sua presença e, ainda assim, uma felicidade. Pensar nela, visualizá-la, era um extremo ato de vontade; recordá-la quando já havia partido, entretanto, era fácil como a memória de uma sensação de beleza, sem seus detalhes. Quando ela sorria, o sorriso estava apenas na boca, e algo amargo: o rosto de um incurável que ainda não foi atingido por sua enfermidade."
Djuna Barnes, No Bosque da Noite. São Paulo: Códex, p. 61.