Verlaine e Rimbaud morrem no hospital, Van Gogh e Toulouse-Lautrec vivem algum tempo internados em hospitais de loucos, e a maioria passa a vida em cafés, music-halls, bórdeis, hospitais ou nas ruas. Destroem tudo que nêles existe e que podia ser "util" à sociedade, e voltam-se também contra tudo que dá permanência e continuidade à vida, e até contra eles mesmos, como se desejassem obstinadamente exterminar tudo que na sua prórpia natureza há de comum com os outros."Estou me matando", escreve Baudelaire numa carta em 1845, "porque sou inútil para os outros e um perigo para mim próprio". Mas não é apenas a consciência da sua própria infelicidade que o absorve, mas também o sentimento de que a felicidade dos outros é qualquer coisa banal e vulgar. "Você é um homem feliz", escreve noutra carta posterior aquela. "Lamento-o, por ser feliz tão facilmente. Devemos afundar-nos bem, se quisermos considerar-nos felizes".
A. Hauser, História Social da Literatura e da Arte, p.1074.
