"Recebo essas palavras como uma pancada. Imundo o meu amor por Mélie? Nojento o seu amor por mim? A cabeça põe-se a girar. Volto vacilante para a cama. Não vejo em que nosso amor é mais sujo, mais nojento que o deles. Não compreendo. Será que é apenas porque somos duas jovens que isso os incomoda tanto? Chego à conclusão de que é muita discussão para pouca coisa. Que importa o sexo, se as pessoas se amam? Intenso desejo de rir me domina. Enfio a cabeça sob o travesseiro para abafar esse riso nervoso."
Régine Deforges, O Diário Roubado. 3 ª edição, Rio de Janeiro: Editora Record, 1998. Pgs. 37-38.